Dr. Leonardo Bizon, cardiologista em Jaú
Sintomas

Palpitações: quando se preocupar?

6 min de leitura Por Dr. Leonardo Bizon CRM/SP 189.612

Palpitação é a percepção dos próprios batimentos cardíacos. Pode ser uma sensação de coração disparado, de "falhas", "pulos" ou batimento muito forte. Em muitos casos é benigna. Em outros, sinaliza um problema que merece investigação. Saber diferenciar é o caminho certo.

O que são palpitações

Em condições normais, não percebemos os batimentos do nosso coração. Quando sentimos, geralmente é porque algo mudou: o ritmo está mais rápido, mais lento, irregular, ou o batimento está mais forte do que o habitual.

Palpitações são uma das queixas mais frequentes em consultórios de cardiologia. A maior parte tem causa benigna, mas a investigação é importante para identificar quando há um problema real.

Causas comuns de palpitações benignas

Muitas palpitações têm causas não cardíacas e relativamente inofensivas:

  • Estresse emocional ou ansiedade
  • Esforço físico
  • Cafeína em excesso (café, chás, refrigerantes)
  • Bebida alcoólica
  • Uso de algumas medicações (descongestionantes, asmáticos)
  • Tabagismo
  • Falta de sono
  • Desidratação
  • Refeições muito volumosas
  • Ciclo menstrual e menopausa
  • Hipertireoidismo
  • Anemia
  • Febre

Eliminar ou reduzir esses fatores costuma resolver as palpitações benignas.

Quando se preocupar

Sinais que indicam que a palpitação merece investigação cardiológica imediata:

  • Palpitações acompanhadas de tontura, desmaio ou perda de consciência
  • Palpitações com falta de ar intensa
  • Palpitações com dor no peito
  • Palpitações que duram horas ou recorrem com frequência
  • Palpitações irregulares (sensação de batimentos descompassados)
  • Palpitações em pessoas com cardiopatia conhecida
  • Palpitações em pessoas com histórico familiar de morte súbita
  • Palpitações que limitam atividades

Nesses casos, a investigação não pode ser adiada.

Tipos de arritmias mais comuns

Quando a palpitação é causada por uma arritmia, as mais frequentes incluem:

Taquicardia sinusal

Coração batendo mais rápido que o normal mas com ritmo regular. Geralmente fisiológica (esforço, estresse, febre) e benigna.

Extrassístoles

Batimentos extras que aparecem fora do ritmo habitual. Sentidos como "pulos" ou "falhas". Comuns e geralmente benignas, mas em alguns casos exigem avaliação.

Fibrilação atrial

Ritmo irregular e geralmente rápido. Aumenta significativamente o risco de AVC. Tem tratamento específico e exige acompanhamento.

Taquicardias supraventriculares

Episódios de taquicardia regular, geralmente que começam e terminam de forma súbita. Em muitos casos, têm tratamento efetivo.

Taquicardias ventriculares

Mais sérias. Exigem investigação imediata pelo risco de evolução para parada cardíaca.

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Como o cardiologista investiga

A investigação começa com história clínica detalhada e exame físico. A partir daí, exames podem ser solicitados conforme suspeita:

  • Eletrocardiograma de repouso: primeira linha
  • Holter 24h: registra os batimentos por 24 horas — fundamental para palpitações intermitentes
  • Ecocardiograma: avalia o coração estruturalmente
  • Teste ergométrico: em casos relacionados a esforço
  • Exames laboratoriais: incluindo função tireoidiana, eletrólitos, hemograma
  • Em casos específicos: gravadores de eventos, monitor de loop implantável, estudo eletrofisiológico

Estratégias para palpitações benignas

Para palpitações ocasionais e sem critérios de gravidade:

  • Reduzir cafeína
  • Limitar álcool
  • Parar de fumar
  • Melhorar qualidade do sono
  • Manejar estresse e ansiedade
  • Hidratação adequada
  • Atividade física regular (sob orientação)

Mesmo essas medidas são melhor implementadas após avaliação cardiológica que descarte causas mais sérias.

Fontes consultadas

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial
  • Departamento de Arritmias e Eletrofisiologia (DAEC/SBC)

Dúvidas frequentes

Palpitação é sinal de algo grave?

Na maioria dos casos, não. Mas algumas características merecem atenção: palpitações com tontura, dor no peito ou falta de ar precisam de investigação imediata.

Café causa palpitação?

Pode causar em pessoas sensíveis. Reduzir o consumo costuma melhorar o sintoma. Se persistir mesmo sem cafeína, vale investigar.

Posso fazer Holter sem ter sintoma no momento?

Sim. O exame registra os batimentos durante 24 horas, capturando episódios que podem aparecer durante o uso do aparelho.

Palpitação na gravidez é normal?

Pode ser. A gravidez aumenta naturalmente a frequência cardíaca. Mas palpitações intensas ou com sintomas associados merecem avaliação.

Ansiedade pode causar palpitação?

Sim. Mas é importante descartar causa cardíaca antes de atribuir tudo a ansiedade. As duas coisas podem coexistir.

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